|
As assessorias têm como objetivo contribuir
para que os setores populares, através da informação
e do conhecimento, se tornem sujeitos na construção
de uma sociedade mais justa e democrática. Elas são
atividades de formação nas quais se procura estabelecer
uma “circulação de saberes” entre os assessores,
a maioria envolvidos com o trabalho intelectual, e os participantes
que, trabalhando diretamente com as bases, acumulam um importante
capital de conhecimentos, experiências, inquietações.
Esse intercâmbio com pessoas que acompanham mais de perto
os grupos populares nos possibilita obter uma visão mais
abrangente da realidade nacional e estabelecer os programas de atuação
e novas metas de estudos e pesquisas. Portanto, através das
assessorias entramos em contato com os desafios enfrentados pelas
bases; contato que nos estimula a refletir e pesquisar as novas
questões colocadas pela realidade social.
Nos últimos anos foram realizadas mais de cem assessorias
por ano atingindo diretamente mais de dez mil pessoas (ver
quadros comparativos), média que pretendemos manter.
Através desse tipo de atividade busca-se, por um lado, atender
diretamente à demanda de formação de agentes
multiplicadores que atuam nas CEBs, pastorais, movimentos sociais,
sindicatos e partidos políticos. São agentes de pastoral
(padres, religiosas e leigos), animadores/as de comunidades, lideranças
populares, estudantes, jovens. Por outro lado, participando ativamente
de mesas de debate em fóruns, congressos e seminários,
onde se reúnem professores, pesquisadores e outros assessores,
procura-se ampliar a discussão sobre a participação
popular na construção de uma nova sociedade. Esse
contato é um importante espaço de diálogo onde
se confrontam diferentes áreas do conhecimento e propostas
alternativas para a sociedade atual. Contribui ainda para dar maior
visibilidade ao trabalho popular e atrair outros setores da sociedade
para essa luta.
As assessorias podem ter a forma de debates ou conferências,
assessoramento a encontros ou assembléias. São solicitadas
por diferentes instituições ligadas à igreja
católica (CNBB e seus organismos pastorais, dioceses ou organizações
diocesanas, paróquias ou redes de comunidades eclesiais de
base, pastorais ou movimentos religiosos, congregações
religiosas, faculdades de teologia), organismos pastorais e ecumênicos
e organizações da sociedade civil (ongs, movimentos
sociais, partidos políticos).
Desse conjunto, destacamos a importância de nossa relação
com as CEBs, suas articulações em diferentes níveis
e seus encontros intereclesiais; as assessorias no campo da leitura
popular da Bíblia para animadores de CEBs e agentes de pastoral,
articulando a experiência de fé e a ação
transformadora; as assessorias sobre diálogo inter-religioso
e ecumenismo, destacando a importância dessa aproximação
para a construção da paz entre as pessoas e as nações.
Um outro destaque são as assessorias sobre as relações
de gênero, enfocando diferentes ângulos: seus vínculos
com a afirmação da cidadania plena de mulheres e homens;
a relação entre relações de gênero,
vivência da sexualidade e religião; e a maneira como
as relações de gênero expressam relações
de poder nas igrejas.
Outro conjunto de assessorias diz respeito ao tema da juventude,
religião e participação social. Elas procuram
reforçar os processos de construção da cidadania
dos jovens, incentivando a participação dos próprios
jovens na formulação de políticas públicas
que interessam a esse segmento da população. Além
disso, tratam das diferentes culturas juvenis e do papel da experiência
religiosa no impulso à participação social
dos jovens brasileiros.
Quando à metodologia das assessorias, sempre procuramos nos
guiar pelos princípios da Educação Popular
afirmados por autores como Paulo Freire. Mas desde 2000 estamos
procurando incorporar outras linguagens para apreensão e
expressão da realidade, valorizando a dimensão artística
e sensorial, o conhecimento popular e buscando uma formação
mais integral da pessoa humana.
|