A hegemonia neoliberal dos últimos
20 anos foi acompanhada de um esvaziamento da democracia. O povo vota
em eleições regulares, vota pela mudança, mas
a política econômica permanece a mesma. O regime democrático
existente não garante a soberania popular, que é a essência
da democracia. O povo elege seu representante, mas não tem
qualquer controle sobre o programa que ele põe em prática:
é como se o voto popular fosse um cheque em branco e o detentor
do mandato tivesse o direito de fazer o que quiser.
A conclusão a que chegaram a maior parte dos movimentos
sociais foi que, se não houver controle social - controle
por parte da sociedade civil, dos cidadãos - sobre seus representantes,
sobre as políticas públicas, não há
de fato democracia (governo do povo). Os eleitos, sejam eles governantes
(Executivo), sejam parlamentares (Legislativo), só responderão
aos interesses da maioria dos cidadãos - os trabalhadores
- se forem cobrados, controlados, pela cidadania ativa.
E o aprendizado da democracia participativa ocorre primeiramente
a nível local, no município. Os movimentos sociais
e as pastorais, com o apoio de comunidades de base, vêm criando
nos últimos anos, a nível municipal, formas de organização
popular para exercer este controle. Uma destas formas é o
Grupo de Acompanhamento do Legislativo - que demontrou uma impressionante
capacidade de fiscalização e de cobrança sobre
os representantes eleitos para o governo municipal, em primeiro
lugar sobre os representantes do Legislativo (os vereadores). O
conjunto dos movimentos sociais do município se organiza
e envia representantes para assitirem a todas as reuniões
da Câmara de Vereadores. As reuniões são registradas
e o relatório é transmitido para o conjunto. Em alguns
lugares, onde os Grupos estão mais organizados, publica-se
um boletim mensal para que a população fique informada
sobre as atividades do Legislativo. Desta forma, as práticas
de fisiologismo e de corrupção se tornam muito mais
difíceis e os projetos de interesse popular recebem mais
atenção.
Através desta iniciativa popular, os cidadãos organizados
passam a acompanhar também os projetos do Executivo - que
são encaminhados para a Câmara de Vereadores. E começam
a fiscalizar o orçamento municipal, através do qual
podem verificar as receitas e as despesas municipais. Assim, mesmo
quando não conseguem eleger um governo municipal comprometido
com os interesses da maioria, os cidadãos exercem um forte
poder de pressão sobre o governo, para atender a suas exigências.
O estado do Rio de Janeiro já tem 13 Grupos de Acompanhamento
do Legislativo, organizados em treze municípios. Esta página
virtual se propõe a divulgar as experiências existentes,
a promover o intercâmbio entre elas, a expor os materiais
que produzem, de modo a fortalecer este tipo de organização
e servir de incentivo à criação de Grupos de
Acompanhamento nos municípios em que ainda não existem.
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